Estados Unidos e China: parceiros ou rivais? A dinâmica do sistema internacional em foco

Entenda a relação entre os dois países e porque as chances de um conflito armado são quase nulas.

Para entender a relação entre essas duas potências mundiais, precisamos retomar à época da Guerra Fria onde a República Popular da China se aliou a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e aos ideais comunistas proclamados, posteriormente, por Mao Tse-Tung em 1949, em antagonismo ao capitalismo vivido pelo ocidente liderado pelos Estados Unidos da América. Desde então ambos os países vivem em meio a uma relação conturbada que se contrabalanceia pela necessidade econômica entre si.

Na época em questão, a população insatisfeita com a implantação do comunismo na China, migrou para a ilha de Taiwan, onde, por sua vez, se autodeclararam independes¹, nesse processo tiveram como apoio os EUA, que blindou a ilha com o poderio militar e influência econômica norte americano.

Apresentação

(1.: A República Popular da China e diversos outros países, incluindo o Brasil, não reconhece Taiwan como território independente). Apesar de discordarem em diversos aspectos, ambos os países já estiveram bem próximos, a exemplo temos o governo de Bill Clinton (42º presidente dos Estados Unidos), onde, em dado momento, o líder declarou não apoiar o movimento separatista de Taiwan, inter alia, acordou a entrada da China na OMC (Organização Mundial do Comércio) em 2001, graças a esse episódio a China teve seu maior boom econômico da sua história.

Quais são essas dependências econômicas?

Apesar da evidente rivalidade, a relação comercial entre os dois países vem batendo recordes de negociações de bens e serviços, somente em 2021 o volume de importação e exportação entre eles foi de +U$657,5 bilhões, para efeito de comparação esse valor é 2 vezes maior que o PIB (Produto Interno Bruto²) de Portugal.

(2.: PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano).

O impacto da globalização na interdependência

A fabricação de semicondutores lidera no topo da dependência por parte dos Estados Unidos para com a China, ela [a China] se tornou a maior cadeia de suprimentos globais de gigantes como Apple, Foxconn e Pegatron, criando um cenário quase que impossível de se encontrar um substituto com as mesmas condições e capacidade de produção.

Por sua vez, a China depende do mercado Norte Americano com a exportação de diversos bens, entre os quais destacam maquinário elétrico (US$ 152 bilhões), aparelhos (US$ 117 bilhões), móveis (US$ 35 bilhões), jogos e artigos esportivos (US$ 27 bilhões). Somam-se televisores, celulares, computadores, equipamentos de telecomunicações e acessórios digitais, sendo assim, tornando-se parte crucial do déficit comercial global dos EUA que teve um aumento de 27% em 2021, para um recorde de 859,1 bilhões de dólares.

Análise

Fator Balão Espião: Nos últimos dias os canais de notícias tem inflamado a discussão de um suposto balão de espionagem chines em território norte americano, apesar de ser muito cedo para prever o desfecho desse aumento de tensão, esta mais que claro o quanto ambos os países ainda são dependentes entre si no balanço total de suas economia, comprovado ou não se tratar de um balão espião, as chances de um conflito armado é extremamente baixa, porém dando indícios de seguirem pelos mesmos caminhos da Guerra Fria, em termos simples, isso implica em aumentos de tarifas de exportação e importação, incentivo a industrias locais (por parte dos EUA) para se tornar cada vez menos dependente do país asiático, outras consequências como a quebra de relações diplomáticas é esperada nessa nova escalada de tensão.

De maneira geral, o que podemos admitir é se tratar de um jogo perigoso para ambas as potências, todos sairão perdendo sem exceção, quando economias globais entram em rota de colisão, a balança comercial do mundo inteiro sofre.

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